O Olhar dos Encadernadores

Sob o olhar de um encadernador...


Gosto muito de idiomas, de saber como se formaram as diferentes línguas ao redor do mundo, acho apaixonante a variedade de dialetos... E acho mais incrível ainda como o Brasil, um país continental, tem o português como única língua oficial: temos regionalismos, não dialetos. A Índia por exemplo, que tem uma área menor que a do Brasil, possui 20 idiomas oficiais e mais de 1.600 dialetos... Gosto tanto do assunto que é a minha primeira formação: Tradução.

Mas, paralelamente a isso, sempre tive um quê para artes, desde pequena. E sempre foi um hobby, nunca pensei em fazer disso minha profissão.

Até que, depois de um tempo, com meus filhos já crescidos e, na época, sem uma faculdade de Artes Plásticas disponível aqui em Black River, resolvi fazer um curso um pouco mais próximo da minha paixão, e na verdade um assunto do qual sempre gostei também: Design de Interiores (Senac). E, a partir daí, voltei a trabalhar com meu lado artístico...

Já trabalhei muito com arte sobre mdf, especialmente caixas (até hoje tenho umas lindas); hoje quase não trabalho mais com este material.

Quando voltei com força à fase artística, foquei total no scrapbooking. E, claro, aliado ao scrap, veio a encadernação. Então eu tenho muitos álbuns e mini álbuns com centenas de fotografias (outra paixão rsrsrs) de família e amigos, com muitos tipos de encadernação.

Minha atual fase é de diversas artes: continuo com a encadernação e scrapbooking, e agora também lettering sobre madeira, parede e papel, pinturas orgânicas também sobre madeira e parede, mandalas em pontilhismo sobre pedra e outros suportes, mandalas indígenas, peças de pinus e outras madeiras - meu marido e eu temos uma pequena marcenaria onde produzimos peças de decoração, e estamos lançando uma linha de luminárias. Além de cursos, que vira e mexe estou ministrando...

Enfim, quando temos o lado artístico bem aflorado, a tendência sempre é se aprimorar, buscar cursos para se especializar mais naquilo que amamos e fazer disso não mais só um hobby, mas a profissão.

A minha visão sobre a maravilhosa arte da encadernação é que ela foi se aprimorando tão gradativamente (como visto nas postagens sobre a história), e com tamanha força, que fincou raízes profundas demais na cultura do mundo inteiro. Mesmo na era digital, onde tudo é tão virtual e a um clic de distância, o livro físico, de papel, de capa dura ou não, grande ou pequeno, espesso ou magrinho, jamais deixará de existir. Pode sim ter diminuído a demanda - as editoras que o digam - mas é uma espécie que nunca entrará em extinção. O prazer de comprar um livro tão desejado pra sempre será verdadeiro. Tirá-lo da embalagem, abri-lo bem no meio, sentir aquele cheiro de papel novo (lembra que já fui cupim?), começar a leitura, levá-lo para passear em baixo do braço em alguns lugares onde formos... O livro sempre foi e continuará sendo um bom companheiro.

E construir um livro, um caderno, um planner ou Bullet Journal - onde nós mesmos escreveremos nosso próprio livro - é uma satisfação. A encadernação, aquela que é a manual artística/artesanal, causa uma paixão à primeira vista em qualquer pessoa. Não há como não causar admiração quando se apresenta um trabalho feito por nós mesmos, seja uma costura mais simples, mas delicada; ou uma costura mais trabalhada, onde se observa uma complexidade maior e uma capa super elaborada.

Ô, paixão, esse negócio de livro...

 Elaine Lima
Tradutora, Designer de Interiores e Artista
@artedesign_artes

 


“A encadernação artesanal é o que?

É o ato de se pegar folhas, que podem ser soltas ou dobradas, colocar umas sobre as outras, ou dentro umas das outras, colocá-las em determinada ordem que faça sentido, caso estejam escritas, prendê-las a um material, que pode ser couro, tecido, madeira ou outros, e formar um livro.

Este livro, que é um livro artesanal, pode ser enfeitado. Existem até exposições de livros artísticos, como por exemplo na França.

Nós temos a encadernação artesanal clássica e moderna, e temos a encadernação artesanal artística, que são os livros que vão para as exposições – alguns são até esculpidos.

A encadernação artesanal é um mundo, que além de fazer bem, mexe com os nossos sentidos, como nossa visão. Mexe com nossa mente, que se mantém sempre trabalhando, sempre usando um pouco de matemática, aprendendo a ter mais foco, mais atenção. Com o manuseio de materiais, a gente aprende a ser organizado.

Então a encadernação, além da parte prática, que é aquela que todo mundo vê, como um livro bonito sendo vendido e perpetuando na história (afinal, graças aos livros artesanais, nós e o mundo temos uma história registrada pra contar), tem também a outra parte, que só quem faz um livro artesanal sabe o que é – a parte motora das mãos e de toda a percepção que a gente aprende.

A encadernação artesanal é um mundo que, mesmo com os computadores, mesmo com toda a tecnologia, vai continuar sendo um mundo! E é por isso que há cada vez mais pessoas se interessando por este assunto.”

Cris, encadernadora,
dona do Estúdio Brigit de encadernação artesanal
@estudiobrigit



“Sou artista e encadernadora, apesar de minha formação ser uma área totalmente diferente.

Desde muito nova, as manualidades sempre me encantaram. Vivia desenrolando linhas desde criança entre os crochês de minhas avós às costuras de minha mãe.

Mesmo durante os 25 anos trabalhando no mundo corporativo, sempre incluí atividades artísticas nas minhas horas vagas. Pintura em tela, mosaico, bijuterias, bordado, découpage... essas eram minhas válvulas de escape em contraponto às responsabilidades que meu trabalho exigia.

Em 2012, no entanto, foi meu primeiro contato com a encadernação artesanal. E foi como se eu tivesse encontrado uma arte/ofício que reunia tudo que eu amava fazer, e ainda abria um leque de possibilidades. A partir desse dia meu tempo livre era todo voltado a aprender cada vez mais sobre essa arte que me fascinava tanto.

A partir de 2016 eu já estava ensinando encadernação e logo já estava com um espaço próprio, me dedicando 100% ao que tanto amo. Foram anos de aulas presenciais que me prepararam para entrar também no universo das aulas on line.

Espero que esse pequeno resumo da minha história possa motivar pessoas a encontrar o que ama fazer e concretizar seus sonhos."

Valéria Marchello, encadernadora
@papiercaprice



"Hoje em dia é necessário que a gráfica se adapte a uma nova realidade, sempre mantendo suas máquinas e equipamentos atualizados com a tecnologia vigente. Com isso, é possível agregar a alguns serviços de encadernação a personalização que tantos clientes buscam, tornando estes trabalhos tão exclusivos. A criatividade dos profissionais é algo de extrema importância e que vai agregar tanto valor ao serviço oferecido ao cliente.

Atualmente ainda existe a encadernação de livros fiscais para empresas, bem como laudos técnicos de engenharia e de consultoria, por exemplo, apesar da demanda neste nicho ter diminuído um pouco. Ainda há a necessidade perante a legislação de se manter tais livros, principalmente se a empresa passar por uma fiscalização ou auditoria, onde é necessária a apresentação de documentos em forma física.

A encadernação, se contrapondo aos meios virtuais, jamais vai desaparecer ou se extinguir. As pessoas baixam arquivos em PDF, imprimem e nos procuram para fazer suas encadernações em diversos modelos. Isso faz com que sempre tenhamos mercado nessa área.

Há procura de nossos serviços para a confecção de fotolivros e outros tipos de encadernação bem personalizados, que vão oferecer ao cliente um trabalho único e exclusivo. A exclusividade é algo que todo cliente procura e dá muito valor.”

Luiz Horta
dono da Gráfica Requinte,
São José do Rio Preto-SP








Comentários

  1. Também concordo que o livro físico existirá para sempre, independente das tecnologias que tentarão dizer o contrário. Eu, particularmente, prefiro o livro impresso (tenho muitos!!!) e se tivesse mais espaço em casa teria muito mais, principalmente livros de história e biografias...

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    1. Eu também, Amarildo, tenho muuuitos livros, e também umas 3 ou 4 coleções de revistas - confesso que tenho dó de descartá-las rsrsrsrs Eu sou apaixonada pelo objeto livro :) E sim, concordo com você: ele sobreviverá sempre!

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