Séc XX e XXI

 

A Encadernação nos

Séculos XX e XXI

Livros são dos mais bem sucedidos meios de transmissão e perpetuação do conhecimento, devido às suas características físicas: fácil manuseio, leitura, transporte e guarda.


Foi uma das mais geniais invenções da humanidade, e também uma das que mais sofreu modificações, aperfeiçoamentos e aprimoramentos ao longo dos séculos, à medida que o homem percebia a necessidade de tornar este objeto mais viável, acessível, bem como de mais fácil e mais rápida produção.

Encadernações clássicas

Antes de tudo, vale lembrar que a palavra encadernação deriva de caderno, do latim quaternus, que significa 'de quatro em quatro'. Em português, a palavra evoluiu para a forma quaderno, que quer dizer 'quádruplo' ou 'constante de quatro elementos', pois tomavam-se, tradicionalmente, as quatro partes em que se dobrava um fólio para constituir um caderno. Cada caderno é costurado a outros iguais, para compor o miolo ou corpo do livro.


Na segunda metade do século XIX, a sociedade experimentou transformações no dia a dia devido ao advento da industrialização. E não foi diferente na área da encadernação. Os profissionais, que antes detinham o monopólio deste trabalho, enfrentaram uma mudança com o surgimento das oficinas comerciais e ateliês.


O método manual e detalhista de confecção de um livro já não conseguia suprir a demanda dos mercados consumidores, que muito aumentou, e a produção nos moldes antigos era muito lenta.

Em tais oficinas, o trabalho passou a ser setorizado, onde cada profissional executava apenas uma etapa da encadernação. Os homens cuidavam da parte do preparo e revestimento das capas, douração do título e padrões de ornamentação. Às mulheres cabia a costura, que era a única atividade permitida a elas.

Assim, os livros se tornaram mais simples e com preços mais acessíveis.


Entre prático ou bonito, por que não os dois?


No século XX, as encadernações já eram produzidas em escala industrial.

Para a confecção da capa, apesar de o couro continuar a ser utilizado, inventou-se um outro material, o percaline (ou percalina), que é um tecido de algodão com resina plástica colorida, conseguindo-se assim um material resistente e lustroso.

A encadernação tornou-se totalmente mecanizada, e o adesivo substituiu a linha para manter as folhas juntas no miolo.

Os livros tornaram-se leves e mais frágeis, necessitando de um cuidado maior ao transportá-los e guardá-los.


Os encadernadores tradicionais viam o seu ofício como uma arte, e não algo apenas com um lado prático. Para contrariar esta tendência da mecanização excessiva, eles esforçaram-se por manter os valores das técnicas tradicionais, incentivando as novas gerações a aprender o ofício.

E conseguiram!

Em plena era digital – quando é possível guardar os dados com total segurança em pequenos cartões de memórias –, a encadernação continua presente em nossas vidas, reunindo documentos, relatórios e diversos tipos de informação que são acessados de forma palpável, para quem ainda não abre mão do papel.


A Encadernação Comercial:

Livros e Documentos Fiscais

No Brasil, a encadernação de determinados documentos de uma empresa é obrigatória por lei, dependendo do regime tributário escolhido pela empresa, e deve atender a todas as exigências normativas.


Entre outros, devem ser encadernados as notas fiscais de entradas e saídas (emitidas pelo sistema eletrônico, digital ou manual), documentos relativos ao ICMS (apuração de tributos), inventário (controle de estoque) e registro de funcionários, bem como os livros Diário e Razão (registro das operações diárias da empresa). Os documentos destinados à encadernação devem ser impressos por impressoras matriciais, jato de tinta ou outro processo similar.

Encadernar documentos fiscais, além de ser exigido por órgãos fiscais municipais, estaduais e federais, é essencial para gerar organização e auxiliar na gestão de uma empresa.


Tal encadernação leva a gravação do nome do livro geralmente em dourado, tanto na frente da capa como na lombada, e deve obedecer aos seguintes requisitos: capa dura, costura, identificação e numeração do livro, termos de abertura e encerramento, assinaturas do representante legal da empresa e de um contador, e registro na Junta Comercial.


Cuidando dos Livros:

Restauração e Higienização

No processo de restauração, tanto a capa do livro quanto as folhas que formam o miolo são restauradas, mantendo-se a originalidade da peça. São necessários profissionais capacitados e especializados para tal trabalho minucioso.



As folhas danificadas por insetos, umidade e mofo (fungos), são restauradas manualmente, fazendo-se adaptações e remodelações com outros papéis.

Os insetos bibliófagos (sim, há um nome específico para essas pragas!!) compõem um grupo diverso que inclui traças, baratas, cupins, besouros, brocas e piolhos-de-livro. Alguns consomem e vivem no papel, outros preferem materiais aplicados ao papel, como cola, goma e gelatina. As traças-dos-livros ou traças-de-papel estão entre os principais causadores de danos aos livros e bibliotecas no Brasil.


Existe até uma cartilha que mostra como evitar, detectar e combater insetos que possam atacar sua coleção:

https://portal.fiocruz.br/noticia/inimigos-dos-livros-cartilha-mostra-como-evitar-detectar-e-combater-insetos

A restauração pode ser feita de forma manual, ou pelo método de reinfibragem, trabalho realizado por meio de uma máquina para recompor a estrutura física do papel, seja de livros ou documentos em geral.


Durante o processo de restauro costumam também ser realizadas as ações preventivas necessárias: troca das folhas de guarda danificadas, colagem da lombada, reparo de folhas rasgadas e recostura do dorso do miolo.


A higienização (limpeza minuciosa) inclui descalcificação e hidratação dos papéis por métodos químicos e manuais. O livro geralmente é higienizado manualmente, folha por folha, lombada e capas, eliminando os pontos onde as pragas se instalam. Podem ser utilizados também produtos que impedem o ressurgimento dos insetos e microorganismos.


A era da Fast-Encadernação

Nos dias de hoje podemos mandar encadernar nossas folhas avulsas em qualquer gráfica. As encadernações são feitas rapidamente por meio de máquinas especializadas com a possibilidade de escolha entre os diversos tipos de lombadas: espirais simples de plástico ou metal, e duplas de metal, conhecidas como wire-o; encadernação brochura; encadernação canoa, onde as folhas são dobradas, formando um caderno que é grampeado; fichários, entre outros.

 

Brochura:



Encadernação brochura

É a encadernação na qual os cadernos que constituem o miolo do livro ou revista são costurados na lombada em forma de acabamento e colados a uma capa mole, normalmente de papel grosso, ou apenas colados e fresados (sem costura).

 

Canoa:


Encadernação brochura

A encadernação do tipo canoa ou dobra é a usada em revistas e panfletos, na qual os cadernos são grampeados.


Espiral:

Encadernação espiral

O método de encadernação com arame em espiral é muito utilizado para encadernação com qualquer quantidade de páginas em cadernos escolares, apostilas, monografias, etc. Neste modo de encadernação, as folhas são furadas mecanicamente com furos circulares. Normalmente a capa é de cartolina ou plástico.


Wire-o:

Encadernação Wire-o

O sistema de encadernação wire-o é uma evolução do processo de encadernação em espiral. Utiliza garras metálicas em duplo anel. As folhas de papel onde serão inseridas devem ter furos quadrados ou retangulares. É muito usado na confecção de agendas, calendários e cadernos escolares, pois permite a utilização de várias gramaturas de papel, vários tipos de plástico e outros materiais. A encadernação wire-o é uma ótima opção para artistas e designers, na produção de catálogos e portfólios. Este método de encadernação também é muito utilizado em calendários de mesa.


Termoencadernação:

Encadernadora térmica

Refere-se aos processos de encadernação que utilizam algum tipo de cola ativada termicamente, sem necessidade de perfurar os materiais a encadernar. Na sua variante mais simples, são utilizadas capas com uma tira de um material colante que é ativada através de equipamento próprio, que aquece a cola, selando assim os papéis a encadernar.


Encadernação industrial:

Máquina encadernadora industrial

Os métodos industriais são aqueles utilizados pela indústria gráfica para produzir grandes quantidades de exemplares. No entanto, as gráficas rápidas vem gradativamente incorporando tecnologias que permitem produzir pequenas tiragens a um custo acessível, o que antes era impossível. Existem também nos orçamentos das gráficas um briefing contendo informações que auxiliam a decisão do cliente na escolha do formato, número de cores, tipo de papel, quantidade e acabamento de cada peça. Este último, traduz o tipo de processo de encadernação : dobras, gramposlombadas, faca de corte especial, verniz, relevo, bolso, etc.

 

Entretanto, nada substitui o charme e a delicadeza de uma encadernação feita a mão!

 

 

Encadernação artesanal:


Encadernação manual artesanal

A encadernação artesanal é feita manualmente, sem o uso de máquinas de encadernar.

Existem muitos estilos de encadernação manual. Apesar de ser boa parte das vezes um processo simples, o trabalho de encadernação exige capacitação e habilidade do encadernador, que deve também ser dotado de um capricho esmerado em seu trabalho!



















Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Encadernação Manual Artística

Idades Antigas e Média